História do caratê (karaté) Okinawan

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O caratê (karaté) Okinawan é uma arte marcial única que apresenta um caráter inconfundível. Conheça qual a história do caratê (karaté) Okinawan e dedique-se à prática de uma disciplina enriquecedora e terapêutica em todos os sentidos.

O que é o caratê (karaté) Okinawan

O caratê ou karaté Okinawan é uma arte marcial japonesa que surgiu em Okinawa e foi desenvolvida sob forte influência do kenpõ chinês, um sistema de combate corporal sem armas muito semelhante ao Kung Fu. O carate (karaté) Okinawan é um desporto de combate muito técnico, onde os lutadores utilizam todo o tipo de golpes, como pontapés, socos e joelhadas para vencer os seus adversários. Por outro lado, os caratecas (nome dado aos praticantes da modalidade) também dominam várias técnicas:

  • As técnicas de projeção (ne waza) como as que são utilizadas no Jujutsu;
  • As técnicas de imobilização (katame waza) que são muito conhecidas no Aikido;
  • Todo o tipo de bloqueios (uke waza), o que lhes permite ser praticantes ainda mais fortes e resistentes.

O termo caratê (karaté) é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias” e está associado ao facto do carateca utilizar apenas armas de combate naturais, como a visão, as mãos, os braços, o corpo, os pés e a inteligência. A prática da modalidade permite desenvolver a força, a velocidade, os reflexos e a coordenação de movimentos e é, sem dúvida, um exercício terapêutico excelente. O objetivo maior desta arte marcial é o aperfeiçoamento do caráter dos seus praticantes e a disciplina do corpo e da mente através de treinos árduos.

As origens do caratê (karaté) Okinawan

O caratê ou karaté surgiu em Okinawa no Japão e as suas origens remontam ao século XV, durante o império do rei Sho Hashi. Começou por ser uma luta praticada em segredo por causa da influência dos senhores feudais japoneses que tinham conquistado a ilha e que haviam proibido os seus habitantes de utilizar qualquer tipo de armas. À conta desta proibição, nasceu uma nova técnica de combate desarmado, conhecido como "Okinawa-té". Tratava-se de uma arte de autodefesa pessoal que tinha como característica principal a utilização das mãos e dos pés como armas de combate. Consta que o mestre Matsu Higa tenha sido, dentro do seu próprio estilo, o primeiro a estabelecer um conjunto formal de técnicas de combate e os mestres Peichin Takahara, Kanga Sakukawa e Sokon Matsumura especializaram ainda mais este estilo de luta.

O caratê (karaté) nos finais do século XIX

Nos finais do século XIX, o estilo de luta de Okinawa passou a ser uma arte marcial que trabalhava e desenvolvia o caráter e a componente física de todos os seus praticantes. No entanto, era ainda uma disciplina muito rudimentar que necessitava de algumas melhorias práticas. Nesse sentido, o treino marcial precisou de ficar mais simplificado e, como tal, foi dividido em três partes fundamentais:

  • O Kihon. Tratava-se de um treino específico onde se ensinavam todas as técnicas básicas que eram consideradas os princípios elementares da modalidade;
  • O Kata. Era um treino específico, onde se simulavam duelos com várias aplicações práticas e onde cada praticante executava todo o tipo de técnicas de combate;
  • O kumite. É o combate propriamente dito e podia ser simulado, desportivo ou real.

Assim sendo, a “nova” forma de treinar e a implementação de outras técnicas de luta chinesas deram origem ao caratê, como hoje é conhecido. Esta modificação reforçou o caráter desportivo desta arte marcial e trouxe inúmeras vantagens para todos os seus praticantes, nomeadamente, ao nível da postura, mobilidade, flexibilidade, respiração e relaxamento. Por outro lado, a junção de técnicas de luta chinesas e japonesas possibilitou o quebrar de determinadas barreiras culturais que separavam os dois países e aproximou-os na sua essência.

O caratê (karaté) no século XX

No início do século XX, nomeadamente no ano de 1902, o caratê/karaté tornou-se desporto oficial. Deixou de ser visto apenas como um meio de autodefesa e passou a ser incorporado nos programas de educação física de Okinawa. Esta abertura possibilitou que o caratê se alargasse a toda a população e isso atraiu milhares de novos praticantes.

Desde então, este desporto foi ficando cada vez mais popular graças às demonstrações que eram realizadas pelo mestre Funakoshi Gichin, que recolheu uma enorme simpatia junto dos responsáveis máximos das instâncias principais. No ano de 1912, o caratê passou a ser ensinado na marinha imperial e anos mais tarde (1922) realizou-se o primeiro evento nacional na cidade de Tóquio. Durante este evento, e com a ajuda de Jigoro Kano (fundador do Judo), o caratê começou a ser difundido à escala mundial.

Em Maio de 1949, alguns discípulos de Funakoshi criaram uma associação, a Associação Japonesa de Caratê - Japan Karate Association (JKA), cujo escopo principal passava por promover o caratê/karaté em todo o mundo.

O carate (karaté) na atualidade

No final do milénio passado, especialmente no ano de 1999, na 109ª Sessão do Comité Olímpico Internacional (COI), confirmou-se o reconhecimento da Federação Mundial de Caratê - World Karate Federation (WKF) como órgão governativo máximo do caratê mundial. Este facto contribuiu para o reconhecimento do caratê como desporto universal e isso levou-o a figurar como desporto de demonstração nos Jogos Olímpicos de Atenas no ano de 2004. Atualmente, o caratê é um desporto aclamado em todo o mundo e a sua prática atrai milhões de atletas.

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